A.B.A.P.O.R.U. (Agenciamento Brasileiro Antropofágico da Política de Orientação Revolucionária Utópica). O agenciamento coletivo pensado por Deleuze e Guattari é experimentado no contexto brasileiro ao modo antropofágico de Oswald de Andrade como pensamento articulador de uma política revolucionária que faz da potência crítica e criativa da imaginação utópica um poder de influenciar os rumos das relações de força no jogo estratégico entre os poderes que se exercem na realidade social do país.
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quarta-feira, 1 de abril de 2020
Pela Vida, Contra a Necropolítica, Ditadura Nunca Mais! (Ivan Maia, Poeta eProfessor da UFBA)
Abaporu, em Tupi-Guarani, o antropófago que devora toda forma de pensar, sentir, agir, capaz de aumentar nossa potência de vida de modo dadivoso.
Assim, nesse dia em que se completa 56 anos do golpe militar que instalou a ditadura cívico-militar no Brasil por longos 21 anos, e em meio à epidemia que tomou conta do mundo, estamos num momento grave, decisivo, e a preocupação econômica com ganhos dos ricos é a maior ameaça à estratégia epidemiológica de enfrentamento da pandemia, para evitar o caos nos serviços de saúde, com superlotação de UTIs. A preocupação econômica com a garantia de condições para os trabalhadores (desempregados, empregados ou trabalhadores informais) e pequenos empresários ficarem em casa se tornou muito relevante agora. O desgoverno brasileiro não consegue seguir com um mínimo de sensatez a racionalidade daqueles que idolatra, como Trump, que mudou sua estratégia, antes irresponsavelmente negacionista, e agora, como todos os grandes países, busca dar ao seu povo condições de ficar em casa, como principal medida para conter o avanço da epidemia.
Bolsonaro, mesmo sendo porta-voz de uma racionalidade capitalista necropolítica, que Achille Mbembe compreendeu, a partir de Michel Foucault, como exercicio de um poder soberano de fazer morrer, que se conjuga com a biopolitica do poder governamental de regulação e normalização da vida da população governada, assim como se conjuga com o poder disciplinar que exerce controle institucional sobre os corpos dos indivíduos, ele tem obsessão pela ditadura, defende tortura, e é movido por pulsões perversas de um sadismo sociopata, com delírios fundamentalistas, terraplanistas e negacionistas (da história, da ciência). Chamá-lo de louco não legitima manicômio, porque o manicômio não é o único modo de lidar com a loucura, muito menos com a sociopatia de um perverso delirante que comete crime contra a humanidade. Além disso, o parecer dado pela junta militar que qualificou o capitão terrorista de 1987 como portador de um distúrbio mental não impediu que milhares de militares o apoiassem e muitos destes participem de seu desgoverno, mesmo preocupados com a repercussão negativa para a imagem das forças armadas. Assim, não há incompatibilidade entre a insanidade do porta-voz da racionalidade necropolitica com esta mesma racionalidade, a não ser que a insanidade se torne disfuncional para operar a politica neoliberal e leve ao descarte do projeto de ditador.
Bolsonaro, mesmo diante de todas as evidências, lançou uma campanha irresponsável para que o brasileiro não deixe de trabalhar e volte a sair de casa. Conclamou o retorno das crianças às aulas e manteve como serviços essenciais cultos religiosos, focos centrais na transmissão da Covid-19 em outros países. Como Hitler, conduzir a própria nação à morte é destinação histórica de um governante eleito pela pulsão de morte que se sobrepôs à potência de vida.
Depor Bolsonaro torna-se, cada vez mais, uma questão de vida ou morte.
Algo como reduzir a quantidade de mortes da epidemia, de mais de um milhão a poucas dezenas de milhares, segundo o Imperial College of London.
Ao mesmo tempo, Maria Lúcia Fattorelli denuncia um dos maiores roubos de dinheiro público, que deveria gerar ajuda ao povo pobre e miserável, com a medida do governo que vai destinar mais de um trilhão aos bancos.
Estamos vivendo, 56 anos depois, um momento em que o presidente eleito defendendo a ditadura militar, e desde o ano passado, promovendo a comemoração do golpe de 64, prepara-se para dar novo golpe decretando Estado de Sítio, após promover o caos social em meio à grave epidemia. Se ele conseguir gerar a desordem pública, terá a justificativa para realizar o seu mais velho sonho e tornar-se ditador. Não sabemos bem qual a força que ele tem pra isso junto a militares das forças armadas e PMs, assim como caminhoneiros e outras categorias com predominância de tendências fascistas. Estejamos alertas, pois o Ministro da Defesa e o Vice-Presidente se unem a outras lideranças militares para celebrarem o golpe militar de 64, no momento em que o Presidente favorece a contaminação epidêmica, enquanto os pobres estão desamparados pelo Estado e começam a realizar saques.
A saída antropofágica dessa grave crise passa pela incorporação de uma virulenta solidariedade, capaz de mobilizar ajuda mútua, reumanizar a sociedade, gerar reação das instituições democráticas ao golpismo bolsonarista, com deposição do desgoverno eleito de forma fraudulenta por meio de fake news e realização de novas eleições o quanto antes. Assim, é fundamental: 1) Suspensão do pagamento dos juros da dívida pública 2) Cancelamento da EC 95 (Teto de gastos) 3) Renda básica universal 4) Taxação de grandes fortunas e maiores rendas. Para investimento em políticas públicas sociais com prioridade para Saúde Pública por meio do SUS. Senão a reação será ao modo Bacurau...
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ResponderExcluirIncrivel, como mentes perversas, utilizam de sua inteligencia, na trama obsessiva de aproveitar os pontos fracos dos vulneráveis massacrados.
ResponderExcluirMestre Ivan, permita o compartilhamento.