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quinta-feira, 30 de abril de 2020

PELA VIDA, PELA DEMOCRACIA, DIANTE DO COVID, CHEGA DE COVARDIA! (Ivan Maia, Poeta e Professor da UFBA)

A saída de Sérgio Moro do governo Bolsonaro, após a disputa pela nomeação do chefe da Polícia Federal, na qual ambos tentaram intervir para fazê-la servir a interesses próprios, parece ser o momento de implosão do desgoverno que está conduzindo o país ao caos social, a partir da necropolítica neofascista e ultraliberal, que repassa a maior parte da verba pública que se destina ao enfrentamento da epidemia, em seus aspectos críticos (complementares) de saúde pública e economia, para bancos, enquanto desmantela serviços públicos e ameaça as instituições da República. Ambos, Moro e Bolsonaro, são criminosos cujos crimes estão sendo investigados em inquérito aberto no STF pelo Ministro Celso de Mello, decano da Suprema Corte, que já deu recados a Bolsonaro sobre o caráter inconstitucional de suas atuações autoritárias, assim como intimou o Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para examinar os pedidos de impeachment protocolados, que já passam de 30, após suposta omissão deste quanto a esta responsabilidade. Moro perseguiu o ex-presidente Lula, grampeando seu telefone, com condução coercitiva, orientando e colaborando com os procuradores que o acusavam, condenando-o sem provas, baseando-se em delação forçada, prendendo-o e tirando-o da eleição que ganharia no primeiro turno. Moro agiu ilegalmente desde a escuta não autorizada de Dilma, o partidarismo/parcialidade no julgamento de Lula, a prisão antes do trânsito em julgado e o vazamento de delações para a imprensa, que favoreceu o candidato Bolsonaro. Depois Moro deixou de ser juiz para tornar-se superministro, como recompensa por ter favorecido a eleição do fascista, e permaneceu conivente e cúmplice de vários crimes de corrupção do último partido do presidente, deste, de sua família, da milícia ligada a ela e de outros membros do governo, no qual Moro não conseguiu o que mais quis, quanto ao pacote anti-crime: a tentativa de legalizar a violência policial arbitrária, como impunidade para policiais matarem “supostos” criminosos, favorecendo práticas de extermínio, que já vêm vitimando, em sua maioria, jovens negros. Após a redução do superministro Moro a um mero ministro derrotado no Congresso e desprestigiado pelo tirano, e depois da conivência do ex-juiz, “herói do anti-petismo”, com os ataques de Bolsonaro aos outros poderes da República, ele deixa o desgoverno acusando seu ex-chefe de fazer o que ele já fazia como juiz: intervir na Polícia Federal, segundo os mesquinhos interesses próprios, para oprimir adversários tratados como inimigos e ganhar prestígio político. Agora que Bolsonaro está sendo Julgado no STF, se desgastou enfrentando seu ex-ministro da saúde Luis Henrique Mandetta (quanto à estratégia de combate à epidemia), e está prestes a sofrer impeachment, Moro quer sair como herói?!...Crimes, omissões, cumplicidade com bandidos, o que o torna herói? Se ambos estão sujos, Moro e Bolsonaro, quem é que está realmente contra a corrupção? Mora na filosofia e na memória: há mais de ano, quando começou “namoro” com Bolsonaro, Moro vem desmoronando e está desmoralizado! Agora Moro é um mero pária...Assistimos ao desmoronamento do herói superministro desmoralizado pelo mito miliciano paranóico negacionista que desgoverna o país em meio à pandemia, e que está encurralado pela Suprema Corte, sem apoio do Congresso, em conflito com quase todos os Governadores e com a imprensa em geral, com popularidade em queda e alta reprovação da sociedade, além da má fama na imprensa mundial, criticado pela ONU e pela OMS, por sua política “irresponsável” diante da pandemia. O processo de acovardamento das forças democráticas brasileiras que ocorreu nos últimos anos de golpes contra Dilma, Lula, o PT, militantes de partidos de esquerda e movimentos sociais, indígenas e quilombolas, e que agora ameaça as instituições democráticas da República, passou pela deposição de uma presidente inocente, pela condenação e prisão de um ex-presidente sem provas, pelo assassinato de uma vereadora que combatia as milícias, pela eleição de um fascista que exalta ditadura e torturador, pela conivência com a fraude de uma eleição por meio de fake news, pela nomeação de corruptos como ministros, pela entrega do patrimônio público e renúncia à soberania nacional, pela conivência com crimes de amigos milicianos da família do presidente, pela condescendência com a participação do presidente em manifestações favoráveis à ditadura e pelo fechamento do Congresso e da Suprema Corte, e mais recentemente, pela promoção do caos na saúde pública com propostas que favorecem a propagação da epidemia e a mortandade da população, sobretudo a parcela mais vulnerável. Diante disso, e de uma pesquisa de opinião recente, segundo a qual a maioria dos brasileiros está a favor da saída de Bolsonaro, há o risco de que ele e sua família tentem mobilizar milicianos espalhados pelo país para imporem uma saída autoritária do caos social que estão promovendo. Então: Basta de covardia! Fora Bolsonaro! Pela vida, pela democracia!

14 comentários:

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    1. Os trabalhadores precisam ser os protagonistas de uma luta por democracia com justiça e liberdade que é luta de todo cidadão. E como diz Angela Davis, "A liberdade é uma luta constante"

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  2. Um dia de reflexão, o texto mostra que cada vez mais as relações no país tenderão ao esvaziamento do humanismo entre brasileiros, sem socialidade e solidariedade politica-social. A luta entre os ícones desse governo cria exemplos para a degradação ética e moral. Os ricos deverão tirar proveito disso: precariando o trabalhador.

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    1. Essa luta decadente entre os ex-cúmplices da perversão da democracia precisa ser bem aproveitada por todo movimento de pensamento crítico

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  3. Análise lúcida e realista. Parabéns professor!

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    1. Grato! Mesmo sem saber quem é você, alegra-me que o texto tenha ressoado a voz de sua consciência crítica

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  4. Parabéns Ivan Maia, por tentar sacudir esse povo inerte e malemolente com essa lúcida reflexão política e social.

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    1. Grato meu caro poeta Valmir! Não haverá silencio de nossa parte diante de tanto desgoverno!

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  5. Ótimo resumo de nossa trágica história, Ivan.

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    1. Grato meu caro filósofo! Fazemos nossa parte...resistência!

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  6. Texto lúcido nas linhas históricas. grata Ivan

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  7. Bom receber seu retorno! A lucidez histórica será decisiva para nossa sobrevivência!

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  8. Muito bom seu texto Ivan. Obrigada pelas reflexões!

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