A.B.A.P.O.R.U. (Agenciamento Brasileiro Antropofágico da Política de Orientação Revolucionária Utópica). O agenciamento coletivo pensado por Deleuze e Guattari é experimentado no contexto brasileiro ao modo antropofágico de Oswald de Andrade como pensamento articulador de uma política revolucionária que faz da potência crítica e criativa da imaginação utópica um poder de influenciar os rumos das relações de força no jogo estratégico entre os poderes que se exercem na realidade social do país.
segunda-feira, 6 de abril de 2020
“Pântano de perversidade e cinismo” (Átila de Menezes Lima, Professor da UNIVASF)
Essas foram palavras de um camarada em um desabafo e achei-as perfeitas para demonstrar a hipocrisia, o ódio, a falta de solidariedade para com as vidas expressas pela nossa burguesia e frações de classes dominantes. O pronunciamento do “messias” salvador e a propaganda anunciada nos meios de comunicação de “O Brasil não pode parar”, assim como a defesa de grande parte do empresariado nacional e de setores “religiosos” contra a quarentena e a favor do retorno ao trabalho, com discursos de que a economia vai quebrar, que desemprego gera pobreza e miséria etc, dão náuseas e ocultam processos históricos maiores.
A primeira questão é que somos um país com desigualdades sociais brutais. Segundo a ONU (2019) fomos a 2ª maior concentração de renda do planeta em 2019. Dados da OXFAM (2017) mostram que seis brasileiros têm a riqueza equivalente ao patrimônio dos 100 milhões mais pobres e que os 5% mais ricos detêm a mesma fatia de renda dos demais 95%. Nossos problemas sociais são seculares e persistem na atualidade. Veja a miséria, fato brutal e crônico, gerou e gera o luxo e riqueza dos poderosos de nossa “nação”. Tem-se muita gente na informalidade, isso demonstra grandes problemas de uma economia dependente de uma lógica econômica que inevitavelmente gera miséria. Quando políticas conciliatórias e de “redução da pobreza” foram sendo implementadas, os mesmos empresários que estão falando em miséria foram os primeiros a serem contra.
Segundo: a economia brasileira está em crise faz tempo e vem implementando uma série de políticas de austeridade como: a “reforma” trabalhista, a EC 95 (Teto de Gastos), assim como a “reforma da previdência” e demais atos adotados pelo atual presidente do país. Sabe quem vem se beneficiando dessas políticas? O sistema financeiro (bancos, fundos de pensões), grande empresariado etc... Em 2019 os lucros dos bancos cresceram 18% e somaram R$ 81,5 bilhões. Nosso maior problema chama-se “dívida pública” e ela é comprada pelos bancos. Esses estão tendo lucros altíssimos, vem quebrando a economia do país e as políticas na crise são para salvar os mesmos. Não vemos nenhuma atitude para suspender o pagamento da “dívida”. Conforme Fattorelli no ano de 2018 e 2019, respectivamente, pagamos de juros e amortização da dívida o equivalente a R$ 1.065.725.301.673,00 e 1.037.563.709.336,00 correspondendo a 40,66% e 38,27% de nossos gastos. Esses trilhões corresponderam a 2,9 e 2,8 bilhões por dia aos bancos. Se compararmos com o que é gasto com saúde e educação veremos que as quantias são vergonhosas. Quando observamos o quanto está sendo liberado para o combate ao coronavírus e o que foi dado em ajuda aos bancos vemos que a prioridade do governo é aos últimos. Ao invés de jogar os trabalhadores em mais miséria e para a possibilidade de contágios, deveríamos não pagar a dívida pública ao capital financeiro e fazer políticas de benefícios sociais. Dinheiro tem e de sobra.
Terceiro, temos um problema crônico de não taxação das grandes fortunas, o perdão das dívidas dos bancos, do agronegócio, dos ruralistas e de outros setores da economia, sem falar nas sonegações de impostos e nas atividades ilegais que reinam num submundo obscuro e que ninguém fala. Agora parte dos mais ricos do Brasil vem falar que estão preocupados com a miséria no país? Isso não passa de cinismo.
Por fim, quem gera riqueza social não são os empresários, mas sim a exploração social da força de trabalho dos trabalhadores. Os empresários sabem disso e maximizam suas fontes de lucros em cima de nossa exploração. Essa é uma questão importante para entendermos as “razões” da vida econômica, pois o capitalismo necessita ter sempre uma margem de lucro crescente. É justamente do nosso trabalho que são geradas as riquezas dos patrões através do tempo de trabalho não pago (também conhecido como mais-valia). Então quanto mais tempo trabalhando e menor o salário, maior a riqueza do patrão. É por isso que eles vivem nos dando outras funções de trabalho para além das nossas, esticando nossas horas no trabalho etc...
Com o excedente de riquezas, os patrões aplicam em mais tecnologias e máquinas. Essas diminuem vários postos de trabalho, criando desemprego, subemprego, trabalhadores precarizados de aplicativos etc. Uma grande massa de trabalhadores desempregados e com fome se submetem a todo tipo de exploração. Isso contribui para a precarização, subcontratação, rebaixamento de salários, aumentando os lucros dos patrões. A preocupação dos empresários e do grande capital no momento não é com desemprego, com miséria, etc. Estão preocupados é com a taxa de lucro deles que está caindo. Com o uso das riquezas e dinheiro em caixa que o país possui, que segundo Fattoreli (2019) eram cerca de 4 trilhões, e/ou a suspensão do pagamento dos juros da dívida pública dava pra enfrentar essa crise e investir em saúde pública, ciência, educação. Isso depende de vontade política e de luta de classes. Organizemo-nos! Somente a luta transforma.
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Muitas verdades escritas! Grande professor, o adimiro muito pelos seus conhecimentos e empenho na luta a favor dos menos afortunados.
ResponderExcluirComo a burguesia fede, meu Camarada!!!
ResponderExcluirSeria uma boa, se todos parassem de declarar a renda?